domingo, 16 de outubro de 2016

Por que os delitos sexuais eram punidos com morte?


A questão da pena capital é particularmente sensível nas culturas orientais, e compreendo sua apreensão. Mas a sua pergunta é sobre casos específicos legislados no Antigo Testamento. Para tentar clarificar o fundamento, sugiro que compreendamos a legislação em si.

1. Casos jurídicos: Vou abordar três casos jurídicos, apenas. O primeiro é o adultério (Deuteronômio 22:22), que, em todo o Oriente Próximo da antiguidade, era considerado grande pecado e requeria pena de morte para o homem e para a mulher. A Bíblia também considera esse um pecado sério contra Deus, contra o cônjuge e contra a sociedade. Diante da pena capital, as pessoas deviam “eliminar [“ba’ar”, exterminar, remover] o mal de Israel” (verso 22). O adultério não era um assunto particular apenas, mas algo que potencialmente poderia causar danos ao povo de Deus, sendo necessário removê-lo do meio deles. A pena de morte podia ser trocada por uma pena mais leve ou pelo perdão do cônjuge? Essa era uma realidade no Oriente Próximo, e alguma coisas indicam que esse também pode ter sido o caso em Israel. O Livro de Provérbios indica que o marido podia receber compensação financeira do adultério e salvar seu casamento ou, pelo menos, a vida dos dois indivíduos (Provérbios 6:32-35; Oseias 3:1-3). O perdão divino também estava disponível aos pecadores (Salmos 51).

O segundo caso é a perda da virgindade detectada após o casamento (Deuteronômio 22:20 e 21). O marido conclui que a esposa, que devia ser virgem, não era, e se sente não apenas traído, mas enganado por ela. Devia ser executada porque “ela cometeu um ato vergonhoso [“nebalah”, um ato que se refere a moral e a ordem social] em Israel” ao ser promíscua [“zanah”, prostituindo-se, falta de integridade moral] (verso 21). Isso era tratado como um caso de adultério.

O terceiro caso é do homem que teve relações sexuais consensuais com uma virgem desposada (versos 23 e 24). Esse também era considerado um caso de adultério, e a pena capital era aplicada a ambos. Nesses dois casos, não há indicações sobre comutação da sentença pelo marido, embora essa seja uma possibilidade.

2. Possível justificativa: É necessário dizer várias coisas sobre esse assunto.
Primeiro, essas leis não eram questões civis, apenas; elas revelavam a natureza e a moralidade de Deus. A pena capital indica quão séria é a moralidade sexual aos olhos do Senhor.

Segundo, a possibilidade de comutar a pena por uma menor e o perdão divino sempre estava disponível aos pecadores arrependidos.

Terceiro, a violação das leis sexuais impactavam desfavoravelmente o mundo social por ignorar a seriedade do delito, resultando em frouxidão na integridade moral. Tais delitos eram considerados feridas mortais à família e à ordem social porque ameaçavam o propósito de Deus para a humanidade.

Quarto, a promiscuidade sexual prejudicava as duas pessoas porque, na ausência do respeito mútuo, a responsabilidade e o compromisso oferecidos pelo casamento eram transformados em instrumentos de prazer pessoal. A relação sexual dentro do casamento une o homem e a mulher nos laços do amor divino; de outro modo demonstra falta de respeito pelo outro e prejudica a autoimagem do casal.

Quinto, a sexualidade não é propriedade exclusiva nossa. De certo modo, ela pertence à raça humana, e seu mau uso prejudica a todos nós, de um jeito ou de outro.

Sexto, a virgindade é um presente divino e deve ser protegida até encontrar seu alvo dentro dos parâmetros divinos da instituição do casamento. Esse alvo nem sempre é alcançado, mas o dom deve ser preservado em submissão ao Senhor.

Essas ideias são estranhas ao nosso mundo moderno. Quando lidamos com questões de moralidade sexual, é mister perguntar: Quem determina o que é moralmente certo e bom? É o sistema jurídico de uma sociedade secular ou a permissividade que a caracteriza? (“Todo mundo faz!”). Para os cristãos a resposta é clara: Deus revelou a Sua vontade nas Escrituras. Quando os sistemas jurídicos traem a moralidade cristã, devemos obedecer a Deus.
Aos que possam ter se afastado da intenção divina para a sexualidade humana, vou citar um texto das Escrituras: “Agora vá [perdoado] e abandone a sua vida de pecado” (João8:11, NVI).


Angel Manuel Rodríguez, Revista “Adventist World” – Outubro 2015

0 comentários:

Postar um comentário

▲ TOPO DA PÁGINA