quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Devemos nos ajoelhar em todas as orações feitas na igreja?


Essa, diríamos, é a pergunta “arroz com feijão” de um bom número de nossos irmãos. Por esse motivo, pedimos para transcrever nesta página o que escrevemos no livro Consultoria Doutrinária, pág. 225, esperando que nossos consulentes divulguem as ponderações ali expostas.
A ideia central do Espírito de Profecia é que idealmente as orações sejam feitas ajoelhados. Em Mensagens Escolhidas, vol 2, pág 132, lê-se: “Quando em oração a Deus, a posição indicada é prostrado de joelhos.” Isto, porém, não é uma lei férrea.
No final do mesmo capítulo, à página 316, Ellen White diz: “Para orar não é preciso que estejais sempre prostrados de joelhos. Cultivai o hábito de falar com o Salvador quando a sós, quando estais caminhando e quando ocupados com os trabalhos diários.” E em outra obra, diz mais: “Não há tempo nem lugar impróprios para se erguer a Deus uma oração. ... entre as turbas de transeuntes na rua, em meio de uma transação comercial, podemos elevar a Deus um pedido, rogando a direção divina, como fez Neemias quando apresentou seu pedido perante o rei Artaxerxes.” Caminho a Cristo, pág. 98 e 99.
Ezequias orou deitado. Não era, porém, uma regra. A própria Sra. White, também em ocasiões especiais, orou em pé. O livro Mensagens Escolhidas, vol. 1, pág. 152, transcreve o trecho de um apelo feito por ela aos presentes na assembléia geral de 1909, que assim termina: “Que o Senhor vos ajude a lançar mão dessa obra como nunca dantes fizeste. Fá-lo-eis? Erguer-vos-ei aqui e dareis testemunho de que fareis de Deus vossa confiança e vosso ajudador? [Levanta-se a congregação, e a Sra. White ora]: “Graças Te dou, Senhor Deus de Israel. Aceita esse compromisso deste Teu povo. Põe sobre eles o Teu Espírito. Seja neles vista a Tua glória. Ao falarem eles a Palavra da Verdade, vejamos em nós a salvação de Deus. Amém.” E isto não foi um caso isolado.
Em outras oportunidades, ela fez apelos ao povo, e os convidava a ficar em pé, enquanto ela, também em pé, orava. O Manuscrito 35 registra fato semelhante ocorrido na igreja de Oakland, em sete de março de 1908. Na mesma igreja, em oito de fevereiro de 1909, ela também orou em pé, conforme informação dela própria no Manuscrito 7,1909.
Depoimento valioso, de testemunha ocular, é o do Pastor D. E. Robinson. Em 1934, em resposta à pergunta sobre o orar somente de joelhos, escreveu: “Diversas vezes estive presente em reuniões campais e sessões da Associação Geral em que a própria irmã White fez oração, estando a congregação e ela mesma em pé.” Carta de D. E. Robinson, de quatro de março de 1934 (arquivos do Patrimônio Literário White).
Ao descrever a atitude de Cristo quando prestes a realizar Seu maior milagre – a ressurreição de Lázaro – a Sra. White assim se expressou: “Cristo, sereno, Se acha em pé ante a tumba. Paira sobre todos os presentes uma santa solenidade. Cristo Se aproxima do sepulcro. Erguendo os olhos ao Céu, diz: ‘Pai, graças dou por Me haveres ouvido’.” O Desejado de Todas as Nações, pág. 511.
Os relatos bíblicos de Jonas, que dificilmente poderia ter-se ajoelhado no ventre do peixe, do ladrão na cruz, que orou na posição incômoda em que se achava, e do publicano no templo, que estando em pé, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito dizendo: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador!” (Luc. 18:13), também indicam que não se deve dogmatizar quanto a haver uma única forma aceita por Deus para orações. Deus atendeu a todos esses: Jonas foi livrado da desagradável prisão submarina, o ladrão na cruz obteve a promessa de ir ter com Cristo no Paraíso, e o publicano “desceu justificado” (verso 14).
Permanece, pois, o princípio: a postura ideal para a oração é de joelhos. Há, porém, ocasiões em que isso não é possível ou recomendável sem quebra da solenidade do momento de oração.

Extraído da Revista Adventista de Março de 1997

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