terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Tempo, Fé e Fósseis de Baleias

Raúl Esperante

(Ph.D. pela Loma Linda University) é paleontólogo do Geoscience Research Institute, em Loma Linda, Califórnia, EUA. E-mail: resperante@univ.llu.edu

O tempo tem sido um assunto importante na maioria das controvérsias relacionadas à fé e à ciência, desde que, no princípio do século XIX, foram propostos os primeiros modelos não-bíblicos para a origem da Terra. Geólogos e naturalistas como Hutton, Lyell e outros, divisavam longos períodos de tempo em muitas características do registro geológico, incluindo o resfriamento das rochas ígneas, a deposição das camadas sedimentares e a sucessão da flora e da fauna em tempos passados. Darwin e Wallace foram aparentemente bem-sucedidos em conectar as linhagens evolutivas de organismos a longos períodos de tempo, durante os quais a morte do mais fraco e a sobrevivência do mais apto abriram caminho para organismos mais complexos, intrincados e adaptados. Se as alterações (tanto no âmbito biológico como no geológico) ocorreram segundo a velocidade que presenciamos hoje, então a Terra e a vida devem ser muito antigas para que as mudanças acumuladas produzissem novas formas. Esse círculo vicioso é reiterado na breve sentença : “O presente é a chave para o passado”. As longas eras foram apoiadas posteriormente pelo desenvolvimento de técnicas radiométricas, em meados do século XX, que permitiram o cálculo de taxas de desintegração dos elementos instáveis presentes nas rochas ígneas.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Um sábado em Marte

Embora pareça ficção, a possibilidade de ter pessoas vivendo em outro planeta parece ser uma questão de tempo

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Imagem do foguete da SpaceX

Mais um passo foi dado em direção ao sonho que muitos têm de poder viver em outro planeta. Na tarde de hoje, a SpaceX lançou, pela primeira vez, seu maior foguete, o Falcon Heavy, do Kenedy Space Center, localizado na Florida (EUA). Desde 2002, quando fundaram a SpaceX, Elion Musk e sua equipe sonham com a possibilidade de desenvolver uma tecnologia que seja potente, eficiente e barata o suficiente para tornar o ser humano uma “espécie interplanetária”.

Conforme Musk tem divulgado nos últimos anos, seu sonho é de poder colocar o ser humano em Marte até 2024. Para isso, ele precisa desenvolver foguetes que sejam reutilizáveis – objetivo que já foi alcançado em março de 2017. Musk também precisa desenvolver foguetes que sejam capazes de transportar cargas mais pesadas, permitindo viagens mais distantes a planetas como Marte. Por isso, o lançamento do Falcon Heavy é uma etapa fundamental para realizar o sonho do CEO da SpaceX. Esse foguete, além de contar com três núcleos reutilizáveis, é capaz de transportar cargas de até 64 toneladas – o dobro que o ônibus espacial usado pela NASA era capaz de carregar. Com o sucesso desse lançamento, o sonho que parecia distante está se tornando cada vez mais palpável. 

Colonizar o planeta vermelho

Embora para a maioria das pessoas esses fatos sejam totalmente irrelevantes, há um segmento da população que realmente planeja fazer parte da primeira colônia humana em Marte. Já existem até comunidades e encontros internacionais com o objetivo de divulgar as novidades do ramo, instruir pessoas interessadas e fomentar o sonho.

Mesmo assim, ainda há aqueles que duvidam da possibilidade de o ser humano um dia habitar no segundo menor planeta do nosso sistema solar. Se muitos duvidaram da possibilidade de pisarmos na Lua, quanto mais em Marte! Lembro-me de ter ouvido, certa vez, a história de um pregador que, na década de 1960, rejeitava a ideia de o homem ir à Lua. Para ele, o pecado deveria ser circunscrito à Terra, e por isso, o ser humano não seria capaz de pousar no satélite natural do nosso planeta. Se isso acontecesse, ele prometeu que lançaria sua Bíblia no rio e abandonaria sua religião. Bem, não sei se ele chegou a jogá-la no rio, mas Neil Amstrong pisou na Lua!

Estou relatando essa história porque, para muitos adventistas, ir e viver em outro mundo soa quase como ficção. No entanto, estamos vivendo num tempo em que o interesse pelo espaço está cada vez maior, e a possibilidade de ter pessoas (e quem sabe até adventistas) em Marte não é algo tão absurdo assim. É apenas uma questão de tempo.

Uma curiosidade

Ter seres humanos vivendo em Marte gera uma série de perguntas: Como seria o dia-a-dia, as atividades ou os relacionamentos dessas pessoas? Haveria casamentos? E se um bebê nascesse, ele receberia qual nacionalidade?

Para mim, como adventista, a pergunta mais intrigante seria: e se um adventista (ou judeu) morasse em Marte, como ele guardaria o sábado? Essa pergunta pode parecer trivial para alguns adventistas, até porque não paramos para pensar na possibilidade de colonizar Marte, muito menos em evangelizar as pessoas que poderão viver nesse planeta. Nossa verdadeira ambição está em “colonizar” o céu e participar da adoração que já existe lá.

Das duas possibilidades, que venha o Céu primeiro! No entanto, se Cristo não vier antes que a vida seja possível no planeta vermelho, como resolver a questão do sábado em Marte? Essa é uma pergunta interessante, e confesso que não tenho uma resposta pronta. A dificuldade em responder essa pergunta está no fato de que um dia em Marte não tem a mesma duração que na Terra. Enquanto nossos dias são de 24 horas, um sol (nome dado ao “dia” marciano) é de 24 horas e 39 minutos. Isso significa que, se um adventista (ou judeu) mantivesse o siclo semanal baseado em sete sois, em pouco tempo ele estaria guardando o sábado quando, na Terra, seria domingo. Segundo minhas contagens, aproximadamente a cada 36 dias, o calendário terrestre ganharia um dia em comparação com o calendário marciano.

Para astronautas que orbitam a Terra, isso não é um problema, pois o ponto de referência que eles mantêm para fazer a contagem de dias e horas é sempre um lugar na Terra – no caso da Estação Espacial Internacional, o Cabo Canaveral. Mas e se estiverem em Marte, qual será o ponto de referência?

Possíveis soluções

Se a questão da sincronização for realmente crucial, a solução para manter ambos os calendários aproximadamente sincronizados seria de manter o ponto de referência no planeta Terra e acrescentar um sol a cada 36 dias – uma estratégia semelhante ao ano bissexto. Assim, os sábados poderão ser guardados em ambos os planetas, embora os horários possam divergir. No entanto, essa proposta não me parece a mais prática. Afinal de contas, por ser um problema “sabatista”, apenas os adventistas (e judeus) sincronizariam seu calendário com a Terra, enquanto o restante da colônia manteria seu calendário marciano – uma confusão desnecessária, a meu ver.

Há outra proposta que me parece mais funcional, e acaba refletindo, de certa forma, o que acontece no planeta Terra. Embora um dia contenha 24 horas, o fuso horário em que o sábado começa e termina varia de lugar para lugar. Façamos uma comparação, por exemplo, entre a Austrália e o Brasil. No momento em que os australianos começam a guardar o sábado, nós brasileiros ainda estamos em nossa correria de sexta-feira. Quando estamos em pleno sábado, eles já estão recebendo o domingo. Cada um acorda, vai à igreja, almoça e faz o culto de pôr-do-sol em momentos diferentes, mas, desde que em sua localidade você esteja guardando o sábado corretamente, está tudo ok. Ninguém se incomoda com o fato de os adventistas de Hong Kong estarem jantando em uma pizzaria enquanto os adventistas no Brasil estão começando o culto. Essa diferença de fusos horários faz parte de nossa realidade globalizada.

Nesta segunda proposta, a questão da sincronização não é tão relevante quanto o acerto do fuso horário. Usando esse mesmo mecanismo em Marte, o sábado começaria no pôr-do-sol de sexta-feira a partir do momento em que os colonos marcianos começarem a contagem. Nesse sentido, o ponto de referência para a contagem semanal estaria no próprio planeta Marte. Se o sábado acontecer em momentos diferentes na Terra ou em Marte, o que importa é que em cada localidade, ele esteja sendo guardado.

Essa proposta me parece ser mais simples e prática do que a proposta da sincronização. Devemos nos lembrar que o sábado também será guardado no Céu durante o milênio, e não faria sentido ficarmos sincronizando o calendário celestial com os movimentos da Terra.

Qual seria sua proposta? Eu estou curioso em conhecer sua opinião!

GLAUBER ARAÚJO é pastor, mestre em Ciências da Religião e editor de livros na Casa Publicadora Brasileira

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

O Espaço Cósmico e o Tempo


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Gerardus D. Bouw
Ph. D. é professor assistente de Matemática e Ciência da Computação no Baldwin-Wallace College, Berea, Ohio, 44017, Estados Unidos.

Neste artigo a teoria da grande explosão inicial é apreciada criticamente. Os pontos considerados incluem problemas que têm a ver com as condições iniciais, a entropia, a taxa de expansão inicial, a abundância relativa de matéria e anti-matéria, a formação das estrelas e galáxias, a interpretação do desvio para o vermelho em escala cósmica, a massa ausente, as incertezas que pesam sobre a relação de Hubble e sobre a constante de Hubble, a distribuição dos quasars, a síntese dos elementos e o raio Schwarzhild do universo. Conclui-se que a teoria do “big bang” não provê explicação satisfatória para o universo.

Escolha-se ao acaso um artigo contemporâneo escrito por qualquer autor evolucionista versando sobre o assunto da cosmologia, para ficar-se impressionado com a certeza demonstrada quando ao conhecimento das transformações sofridas pelo universo e seus constituintes, bem como das suas idades. Entretanto, por baixo dessa aparência exposta ao público, esconde-se uma história bastante diferente. Há um considerável número de problemas que as modernas teorias cosmogônicas não têm sido capazes de resolver, a despeito de seu grande grau de sofisticação. Certamente não existirá nenhuma visão evolucionista abrangente do universo que possa escapar de elementos super-miraculosos que estarão apontando para o Criador.
Hoje em dia o modelo cosmológico mais aceito é o da grande explosão inicial, a teoria do “big bang”. Como teoria, ela resultou da observação de que quase todas as galáxias tênues, e presumivelmente distantes, parecem estar se afastando da Terra com velocidades que aumentam com a sua distância até nós. Partindo das paralaxes trigonométricas e passando pelas estrelas Cefêidas variáveis, e indo até os membros mais brilhantes dos grupamentos de galáxias, foi construída uma escala de distâncias cósmicas. Esta escala envolveu bilhões de anos-luz e permitiu traçar uma relação mais ou menos linear (Ver em seguida) entre o desvio para o vermelho observado na luz emitida pelas galáxias (presumivelmente uma medida da velocidade da galáxia na direção da sua linha de visada) e a distância delas até nós. A inclinação da reta resultante dessa relação corresponde à constante de Hubble, e o seu inverso, que tem a dimensão de tempo, é considerado como a medida da idade do universo. Tal interpretação da relação acima implica que todo o universo, com tudo que nele existe, esteve uma vez compactado em um único ponto. Como a interpretação do efeito Hubble é que a matéria que constitui o universo está atualmente em expansão centrífuga a partir daquele ponto, os evolucionistas especulam que toda a matéria explodiu violentamente a partir daquele ponto, esta grande explosão inicial recebendo o nome de “big bang”.

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